rain against dandelions
dreamin’n’
fishes steams
sugar fly bottles
today
a swim
tomorrow
a sky

https://www.youtube.com/watch?v=eWRe5sSm2UI

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a cor
que sob
determinadas condições
de alta
concentração
de umidade
de baixa
luminosidade
absorve o sol
das roupas
vazando a
sensação de frio
por tecido
da derme ao osso
é lesma

breathing in
stabbing heart
hurt and weary
short cut
clot of air
narrow space
blow the flute
silent and dreary
once forgotten
no laugh nor charm
getting used to it
how to be free
jailer old friend
conversation of lost
repetition addiction
leave the blade
cut the knife
stuck illusion
light feet
forgetful ground
seeds of memories
flower new bounds
let it be
let it here
the person
who feels
the person
who heals
breath in
and out
moving forward

felis desaniversário

aos 19 dias de abril de 2018, este blog comemorou um ano de existência, sem postagem e ainda existido. sobre esse caminho da escrita devo dizer que é uma das melhores coisas que faço a serviço de inutilidade e de reencontro no desafio de comunicação do vazio a todo nem um, como se arco e flecha prescindissem de visão, atirador, arco, flecha, suspensor, suspensão, chão, céu e alvo. o interessante é que ao fim de alguns poemas aquilo me é uma revelação maravilhosa do que eu não e mais sou e precisei daquele percurso para materializar por onde pisava sem calço e agora então é. tenho aprendido que os poemas são dos erros os melhores e isso me parece autêntico de oferecer, o inequívoco da alegria em existência errática. esses dias descobri o Parra, poeta chileno que morreu centenário, e ele diz que “toda la poesía es una mierda/nos decía la clara sandoval/claro que con honrosas excepciones” (p. 127). me reencontrei no livro dele. hehehe. além de eu já ter feito poesia de banheiro, também penso que se deveria viver como se a resposta e a pergunta de deus fosse tão crucial quanto irrelevante e que todas as mulheres são água, por que não seriam? quem sabe dessas conversas surgirão coisas futuras que em breve existirão aqui e já nem penso em outra coisa que não seja ser acompanhada de poesia, seja lá isso em que medida.

então celebrando com o poeta que estou lendo agora: do livro Antipoems: how to look better & feel great, de Nicanor Parra, antitradução de Liz Werner, p. 22-23, para regar as velas que não se apagam no jardim.

20180508_142212

bom dia desconhecido

o banco te espera pontual como a ilusão de que o tempo desperta para quem acorda cedo. paradigma à vaga o banco antes de nós. teu rosto me conforta, dormido em ausência entre fones e música, ou será que nada escuta para ouvir o silêncio? dois segundos de olhos de lado lançam-me dados de um provável reconhecimento, ou será que é muito encontro descobrir que quando se olha se é olhado sem bom-dia antes das 7h24 da manhã?, um caso de incômoda intimidade, sorrio sem mexer os lábios. desde que horas se faz teu cedo para me sinalizar que estou no ritmo certo de alcançar o registro do ponto? depois de algumas semanas ganhou um amigo, o ensaio de tornarem leve a quantas perdidos, tu, o amigo, a conversa, o banco e às vezes os fones que somem ou se fazem um deles caído. entre uma palavra suspensa e um horizonte de que ainda é muito, muito cedo, os olhos de dois segundos. não te contei mas dias desses ganhei no peito um sopro quando ali no banco nem tu nem teu amigo. ahãn, achei um erro na matrix, e também tua ausência é demarcador para construir despertar no tempo dormido. e das muitas coisas que poderiam ter te sucedido, imagino que na vida uma mais criativa do que literatura, e espero que ao menos esteja com saúde. mais adiante, nem por isso mas poderia ter sido, tive consulta, qual não te foi o susto de me ver acordada às 11h17 da manhã, ali os fones e os olhos de dois segundos. se te escrevo é porque ainda não dormi, eu acho, e engano o sono que será despertado quando eu dormir enquanto quero ser feliz. encontro um sentido único ao escrever me comunicando e só conversar a vida com a vida do outro faz verdadeiro sentido. não sei teu nome, nem serei conhecida tua, mas agradeço a sorte que dividimos mesmo que desconhecidos. raios, tira a música dos fones e liga a playlist no pátio, não tem festa e estamos acordados antes das 7h24 da manhã.

queen mab

escuto à percepção além sensória. imaginar expande o que comunica o desconhecido. a vontade age mais que o corpo desgastado de deus para as coisas sem nome na teia das coincidências. se existir, sorri ao sol com lufada de bagunça dos cabelos à fronte desamparando as costas, como que dizendo conversas e somos tu em mim. tenho conversado com todas as coisas. na poesia a experiência do espírito. na razão o decalque frágil por mãos não escolhidas, e que escolhem. medo de perdê-la. com a distância da escrita, rio disso, ao que ajudam as trilhas organismo rádio para plasmar perguntas, vergonhas, amores e danças. ouço, no escuro sem fundo, no raso lago sem borda, a gota a contratempo, de baixo para cima se entrega à constante esfera, não o suficiente grande para não a querer segurar entre as mãos. não a toco. detenho a mim diante sem reflexo. no prata uma transparência d’água. o nada visto reverbera o que preciso saber. caminho árduo, aprender em leveza de pesares recompensa caminhada. sim, não confio, caminho exige entrega de não se segurar a nada e integrar-se a toda forma de tudo, caótica, bela, indiferenciada. impreciso seguro falseia existência é encontro, luz com escuridão. abrigos falsos desviam os nós da verdade. estaria presa a quantos deles? qual guia o caminho? aprendo apesar de eu, maior obstáculo, grandeza que não exclui inquietação. mudança e contemplação como céu ainda céu para nuvens ainda nuvens. ação para o medo, respeito, amor e falta, inexata equação. confiar agora, caminho do meio onde somos. difícil, persisto como se no princípio era o certo. tiro o contente a proveito das coisas assombrosas e mínimas, dos desconhecidos, dos desencontros, dos encontros, e se me afetam causa e consequência, não preciso estar viva? da performance saio antes de mim. atrasos, me os dou como liberta. vida para morrer, morte para viver na flecha do tempo mais do que a sorte. converso com o tempo, com estranhos, com mortos, com nuvens, com personagens, com insetos, com poças, com espelhos, com máquinas, com amigos, com familiares, com sentimentos, com pensamentos, com máscaras… converso contigo. ilusão? medo de perdê-la, razão ao desafio de às aranhas flores… imagino lição, entrega ou picada? afinal, do quê o medo se não a verdade de ressurgir das areias do sonho de novo e de novo? talvez receio, o fio no movimento tensionado rompa, sem tocada às mãos única melodia. o silêncio? a gota sobe à esfera.