símia

pole dance no apoio em solavanco segurado à mão. olhos baixos nos vincos metal-cinzas que erguidos encontram os meus sorrindo cúmplices por mochilada na roleta do momento. o ônibus insiste na velocidade máxima em sequestro da noite. meia dúzia de rostos cansados com sincronizados tremores sonham com palatáveis jantares na tristeza de não estarem feitos e corpo chumbo sustentado na horizontal por pluma de travesseiro. minha técnica símia me permite cruzar de ferro em ferro o corredor na direção do teu desconcerto. rimos porque o cansaço aproxima o vazio dos olhos sem nome de silêncios bêbados. eram também a barba falhada, um cacho do cabelo fora de lugar e o jeans rasgado que me olhavam. espremo nos olhos o foco para ajustar o que me espia. teus joelhos nas cadeiras quebrados caem e chicoteiam na sequência tuas costas. troco de mão em mão os metais rolantes de nossa história. no corredor os nossos filhos, casal de gêmeos e procrastinação, duda, julinho e pedroca, os shows de rock, a insolação no mar de outono de 2023, e quando tédio o exorcismo, o susto da apendicite e na recepção do hotel o nosso bolero. freados no tempo, à porta parados. chamados à rua sem sol e por ar à solidão. enfileirados e descidos os passos escada à frente. tu para a esquerda, eu atrás e à direita. te amei até jamais.

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