morcegar

Não é assim no mais dos dias, mas hoje é destes. Estalactites conversam com estalagmites no escuro. A resistência no aguado inóspito das teias de aranha. Somos gotas no escuro falando de cegos com eco e teias. O corpo é tolo em aguçar os sentidos diante do que não sabemos, o que se rompe se faz em silêncio. Não se ouvirá melhor a não ser as batidas do próprio coração, amarradas por nó apertado por onde passará um curto respiro ancorado no peito. Para alcançar aqueles outros dias, pretexto de asas, é preciso sonar. É a luz pretensiosa que diz ao morcego que ele voa no escuro? Eu te digo, morcego em mim, agora é o nada. O nada é a potência ecológica para o tudo no som das tuas asas. Alguma coisa do voo em ti ressurge. Cosmogonia do inverso, entranhas de astros em corpo espaço, tripa vira palavra, como se diz o som da tripa, esse animal vivo, no dicionário?, som sem chão voa. Somos, eu e tu em mim, suspensa quando antes era retorno de ouvido. Ali atrás as gotas, as aranhas, a insinuação da luz e da água, o escuro. De voo a palavra, a tempo deteriorada, dos males o menor, me oferecer ao desperdício.

 

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