descaminho deserto

esperança não fonte água

mais estrada

justa paga

seca para buscá-la?

sede é falta

na aridez sobra nada

sol aberto bebe da pele

mijo sem mágoa

qual a solidão do astro?

dormimos

com que sonha?

se bebê-lo possível

de si se contentaria?

na distância da companhia

fazemos o dia

qual o sonho do coração

no vasto ar de corpo sangue e areia?

uni e verso

só?

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Um comentário sobre “

  1. Compus este poema e o crcrcr numa pausa à leitura de Frankenstein, da Shelley. Ambos têm a ver com a inquietação das intenções intelectuais do personagem-criador e a criação de algo do qual este não dá conta de achar lugar para existência, o que o aniquila. Remeteu-me à criação literária e ao duplo do autor que se recria pelo literário, a criação como monstro de palavras, com existência própria apesar do criador. Os dois poemas saíram em sequência e em fluxo, crcrcr mais fragmentado e tormentoso, o sem título mais ampliado a uma ideia existencial ainda atormentada e distorcida na imagem grandiosa do sol, que parece orbitar em torno do ser e da sua falta ou necessidade de saciar sua sede, uma ousada sede de sol que torna o sol anímico dessa falta de algo, a própria explicação que anima tudo o que existe.

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