cura da rima em -ão

sonho alto nas paredes amanhecidas

sob um teto de flutuação

claro e circunspecto se derrama o dia

ao convite da chuva à instrospecção

meu coração é massageado duas vezes quatro patas, dois focinhos, ronronadas

nos potes da cozinha chocalhos em confusão

à mesa o café inaugura no estômago o conforto da vida que se inicia

no banho quente a música da água canta evaporação

roupão para sofá, um colo e duas felinas

sonho em bolas de respiro peludas, pernas e manta tem continuação

no restante do sofá que sobra, a ausência de tudo

na internet e nos livros espectros de mundo

no caderno o melhor da minha invenção

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Um comentário sobre “cura da rima em -ão

  1. Acordei com essa promessa de final de semana chuvoso e uma ideia de leituras, as de psicologia, linehan, contextuais de terceira geração, e frankenstein, da shelley, danada de boa (além das outras leituras não terminadas nas alturas das últimas cinquenta páginas). tomo café querendo ouvir música, queria descobrir se alguém tinha feito uma música que cantasse o universo, achei essas que me tocaram: https://www.youtube.com/watch?v=ivGaShl1lCk e https://www.youtube.com/watch?v=19nm5_nAwQg. Achei também o documentário do Heath Ledger https://www.youtube.com/watch?v=fO9GbqiJcXI, que deixei no pause, ainda tem o filme recomendado pela JouJout https://www.youtube.com/watch?v=OknoWh0NcJ4&t=132s, que quero ver (Capitão Fantástico: https://www.youtube.com/watch?v=f-4wmCR4je4). Das músicas do mundo me veio a ideia da reforma do apartamento, já pensada, de pintar as paredes de branco e o teto de cor. Pensei em como meus sonhos são uma comunicação clara comigo e sobre a ideia de os sonhos subirem as paredes enquanto se dorme e a chuva vai caindo, um inverso que se encontra numa sensação de flutuação, do sonho a um universo paralelo. Dos sonhos nas paredes nasceu este poema (as paredes não confessam nossos sonhos), com cara de manhã chuvosa e suspensão, e o resto são palavras. Ah, já ia me esquecendo… o título veio da sensação de que quando compõe-se com rima em -ão a linha é tênue entre o muito simples universal e o muito raso. A cura é justamente por tentar mesmo com receio, resbalando em si mesma para a busca do autêntico, resbalando se chega lá. Ou não.

    Obs.: a ideia de escrever sobre a composição dos poemas me veio esses dias, como pretexto para escrever um pouco mais. Achei um poema que eu inscrevi para concorrer a um concurso literário há mais de dez anos e que tirou o quarto lugar do Cataratas. Esse poema foi mudando, eu mudei, e de alguma forma revi nele a forma como escrevo agora, uma anunciação do passado me espreitando num esquecido arquivo do Gmail (muita coisa em papel, hd e disquete eu estraviei ou joguei fora). Publicarei ele aqui e com comentário. 😉

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