duas vezes fane

o nascimento de fane olinda brás

existida em visita a 2 de novembro
entrevisto fane olinda brás
nascida sob o sol de uma noite curva
na cidade de vento jazia
perguntada
sobre idade
evento no silêncio de formiga
sobre trabalho
à procura de ofício não remunerado acabou com carteira assinada
sobre cor
shimmering neon shades of white
sobre amor
por favor
sobre política
coletivos formados por qualquer um
sobre ciência
humor e bactéria
sobre inspiração
conhecimento e mania
sobre escrita
saídas de desnecessidades luz-doridas

 

o retorno de fane olinda brás

ida para retornar existida
protagonista sem memória
esquecia tudo o que sabia
semeando objetos sem relação
tropeçava no seu jardim
redescobria artefatos maravilhosos
recolhia nele
tampa sem caneta flor de lapela isqueiro sem fogo
ria-se das invenções que lhes fazia
paraíso dos botões de um conto novo
entendia sem vestígios por intuição
resistia no espaço florido ao reencontrado que não dizia
sonharia um dia tudo que esquecia
aposentada escritora dos anos todos
por hedonismo que mal lhe cabia
malformada em processo de poesia
foi antes condenada a escrita guria
morrida a coitada
de morte de coração fulminada
anunciada no rádio e no 4×8 noticioso
gralhada por desconhecidos ao entorno
pedra acima pedra acima
reinventara a defunta
viva roda imaginária
fane olinda brás
nascida sob o sol de uma noite curva
na cidade de vento jazia

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2 comentários sobre “duas vezes fane

  1. Foram meses para nascimento de fane. Ela foi surgida para reinventar nesta poeta um espaço de poesia que não mais se permitia. Porque em algum momento a poesia dormida na gaveta ou no blog de mesmo nome deste excluído no passado era sufoco. Com a experiência e o amadurecimento, diria que mais emocional e de pessoa mas também de leitura, aquela de livros e de mundo, veio a necessidade. Eu precisava ser outra como para respirar. Eu tinha medo. De frustrar-me com minhas limitações de escrita e de experiência. Pensei num pseudônimo para nele ter abrigo, passei um tempo imaginando fane como uma bela mulher por volta dos 70 anos, com olhos viscenjando poesia e cabelos longos lisos cheios e brancos. Essa era fane de chegada, e sabia que em mim ela começava a permitir partida. Deu a mão à jovem com medo e traduzimo-nos em palavras por passeio no receio de talvez não ter tempo de entender o necessário. Falecida e ressurgida fane, nossa comunicação quem sei produzisse o caminho para busca onde falta. Imaginei, inspirada também em Machado, que voltaria personagem de suas histórias. Gentilmente nos cedemos passagem. Podia escrever, e o fazia, poesia respirar e já não a mesma. Seguir em acréscimo de mim mesma, sem esquecer a regressiva do tempo, por a qualidade do possível afrontando a ditadura do ponteiro. Diminuir foco na menosvalia da falta de controle para proporcional investimento no foco de controlar o que posso em mim mesma, para exercício de escrita, beleza, de existência. Então eu era poeta e ressurgi o blog. Ca estamos. Fane coabita em inteligente transparência.

    Curtido por 1 pessoa

    1. Não sei o que achei mais incrível, se a poesia ou a explicação do nascimento da fane olinda brás. Não sei se prefiro a poesia”prosaica” ou a prosa “poética”. Será a fane olinda brás um heterônimo, uma anônima com nome ou um pseudônimo? É uma voz sem corpo.

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