espaço breve entre planetas
suspensos tu(do nada) e eu
respiro
sou a ausência de matéria
fugazes
nossas partículas sem nome
vazio infinito
potência de todas as coisas
não como se nunca antes às estrelas
à escolha
a mão convida ao aceite a tua
me reconheças
eu te vejo
envolto em halo colorido onde o tempo é curvo
os movimentos orbitam ao teu encontro
a luz dourada envolve a nuvem
em fundo azul
véu arco-íris e cinza
gosto dela prata
o resplandecente não soa como ouro?
I like it silver
shimmering doesn’t sound like gold?
a mi me lo gusta plata
lo resplandeciente no sona como oro?
somos
não há som
andamento e ritmo
não é assim o que inunda?
gume no peito
calor deságua nos olhos?
piano
me reconheça
a um mesmo esperança
de acharmos tempo
sozinha sou muitas
não a melhor do meu apreço
transbordo em poesia
sensível ausência
a gentileza da palavra
desejo
escolha
eis a minha mão
this is my hand
he aí mi mano

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4 comentários sobre “

  1. Legal isso de um poema começar descrevendo planetas distantes até ir aos poucos fechando no contato entre duas mãos, e tudo entrelaçado com a insuficiência das linguagens humanas para descrever a total intensidade do que sentimos. Recentemente li um livro bem legal e que fecha muito com teu poema, “Que emoção! Que emoção?”, do Didi-Huberman, em que ele fala isso: existem muitos matizes de emoções diferentes entre as pessoas, a felicidade do outro não é – e nunca será – idêntica à minha, e as palavras não dão conta nunca do que sentimos, somente através de aproximações. 🙂

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  2. Teus tentáculos intertextuais costuram significados maravilhosos nos meus poemas. Ao que sou grata. Fico feliz de saber que posso produzir algo parte de mim, que ganha vida no outro e diferente do que sou (seria isso comunicação, conexão?). Ultimamente, mais do que sempre, ando pasma com minha ignorância (e o que eu faço com isso?). Eu comecei a ler O universo numa casca de noz, do Stephen Hawking, o que mudou o poema. Vou espiar esse sobre oqual comentou! Thanks!

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    1. Já te disse que a melhor parte dos teus poemas são as ondas que eles geram em mim, sempre saio me sentindo melhor. Eles não evocam somente textos e poemas com que dialogam, mas sons, imagens, fotografias, músicas, vídeos – abrem inúmeras portas. Por exemplo, lembrei muito de “Incidente em Antares”, do Érico, com aquele começo lá no início do Universo até fechar em Antares. Mas também lembrei da série Cosmos, em especial algo que ainda me assombra, os planetas fantasmas, que vivem sem um sol a lhes iluminar e estão lá, mortos, parados, no meio do vazio, sem nada que os anime até o final dos tempos. Acho que és muito cruel com teus conhecimentos pessoais (tenho que tu sabes mais coisas do que muita gente, inclusive eu!). Se não conseguires o livro (ele é um pouco difícil de achar), me fala, posso te emprestar: tenho certeza de que vais adorar o que ele fala, pois, partindo da fotografia, discute a nossa dificuldade de entender as emoções humanas, pois usamos o nosso prisma emocional para julgar o dos outros…. um livro muito interessante para a tua poesia e tua psicologia! 😉

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  3. Coisa linda isso! Melhor presente para quem escreve. Eu sinto também o que eu escrevo, ainda que parte de mim ainda seja o fingidor. Ah, eu me desespero, mas daí vem a oxitocina e passa. Hehehe. O contrapensamento para essa minha autocrítica (cuja comparação com qualquer um não aplaca, a não ser a máxima estamos todos nesse barco) é, se a angústia for a medida da liberdade, como li de um filósofo, então eu sou livre pra caralho! Hehehe. Pensar isso me lembra que eu sou humana, e vou morrer sem saber/fazer o tanto que eu gostaria. Por enquanto estou com a lista de leituras da missão foco 2018 na frente, mas é possível futuro contato. Mais uma vez, gracias!

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