manifesto

[os textos retornam. não é muito fácil se revisitar. uma pessoa querida me lembrou disso. me citou em 2014. achei que poderia ser eu, mas não estava certa. me enviou o texto. me reconheci. tão igual, tão diferente. o texto estava perdido em um hd queimado. preciso registrar, já não há tempo para o amanhã que não seja hoje. ei-lo, de setembro de 2014.]

manifesto

não sem sentido nascemos nessa vida
uma vez que saímos de dentro.
do lado de cá, a gente se perde e se esquece de que um dia foi ovo ou sonho ou pílula perdida ou uma fodinha ridícula ou nada.
nos dão um tempo e espaço e talvez um pai e uma mãe e nos falam de muitas heranças quando nem sabemos que nossa existência se inscreve em algum.
não sei se ainda tenho capacidade de dimensionar isso.
dessa inscrição da minha existência em algum lugar, nela mesma.
se me manifesto é para ao menos registrar o que venho buscando. e não sei se encontro.
penso naquela que posso ser e algo me dói. estou longe dela.
ouvi testemunhos de outros que dizem que estou no caminho. aqui por vezes se acende uma luz por outras se apagam as estrelas.
o bosque pode ser um conto de fadas encantador ou uma ameaça. procuro o prazer de desvendar essa floresta sem me apegar a qualquer versão dela. embora me engane.
desfrutar do prazer do encontro e das oportunidades do desencontro.
o difícil é não me em si mesmar e achar que se numa sou sorte noutra sou fonte e por fim me desgraçar em todas elas.
existe um medo que é forte. denso buraco negro engolindo matéria.
quero inspirar pessoas, eu sonho. e dou risada desse meu lado criança porque mal sei da inspiração de mim mesma.
não quero ser palco, quero ser campo. por onde se encontrem as compreensões de outros mesmos.
existe uma graça na troca. nisso serei forte?! é também um convite. seremos?!
não lhe dói a morte? para mim parece que sempre vou tarde e ainda não sei se me tenho.
quero encontrar a alegria das coisas porque são. quero encontrar a coragem do sou. mesmo ainda não completa.
não quero me deixar deter por medo da solidão, que me acompanhem, sinceros, os que também apenas vão.
quero ouvir muito mar, um tambor de ilusão, uma dança polar, um sol no rosto, a chuva no verde e o gosto do lábio e língua.
deixar a mente fluir na (in)quietude das paisagens de dentro.
um dia retornarei à matéria que cagam os pássaros.
e entre uma pedra e uma dúvida eu sorrirei flor.

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