patrimônio da humanidade
do outro lado quem responde?
máquina de fazer coragem
é livre o arbítrio à fome?
vitória do existir
que(m) de que(m) é livre?
que conquistam
a quem pertencem
mulher e homem?
resistência ao tempo
se restauram
os prédios
a miséria
quando mudará de nome?

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4 comentários sobre “

  1. Muito bom! Fiquei com uma dúvida, mas é mais existencial do que sobre a natureza do poema: mudar o nome da miséria impedirá a miséria ou criaremos um eufemismo para evitar algo que nos envergonha? Lembrei que o Wallace Stevens – baita poeta – em “O homem do violão azul” dizia que precisamos trocar os “nomes apodrecidos das coisas”, que “o sol não pode ter um nome, mas equilibrar-se na própria dificuldade de ser”, que “devemos nos desfazer de luzes, de definições”. Mas são mais dúvidas minhas mesmo. Gostei bastante do poema – restauramos prédios, mas dá para restaurar pessoas ou somos todos ruínas porvir?

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  2. Confesso que também tenho essa dúvida acerca dos nomes. Avenida Castelo Branco para Legalidade, favela para comunidade, se Romeu não fosse Montequio, se meu nome não fosse Fernanda, mas A5497, por exemplo, Jacinto Pinto Grande que ser João da Silva, e João da Silva se acha uma pessoa de todos os nomes e não aguenta mais ter seu cartão de crédito clonado, Marcus Vinicius assim assina mas sua identidade é Laura, e por que eu não tive coragem de colocar o nome de Mia na minha gata preta, porque a Mia que eu queria adotar, antes da pretinha, que agora se chama Lua, teve uma virose e morreu. Será que os nomes têm alma? Seria a alma o significado, e o significante seria a arbitrariedade? Ou as coisas são as coisas mais todos os signos ou independente de quaisquer deles? E os artistas arruinados em vida e monumentados após a morte? Acho que é por aí a inquietação do poema… Gosto como tuas leituras reverberam o poema numa coisa outra e acabas me mostrando como algo que faço já não é mais coisa que me pertença… Se torna bem mais! hehehe Dizem que é isso que acontece com quem escreve e me sinto poeta. hehehe. Aquele grata de sempre! Abraço!

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  3. se teu nome fosse A5497, talvez isso explicasse muitos mistérios, hehehehe. Essa tua resposta tem uma cadência tão particular, com um entrelaçamento de nomes que lembra uma paródia muito divertida de “Quadrilha” do Drummond, que merecia ser um poema por si só: feliz por ser o responsável involuntário pela eclosão desse poema de dentro da Fernanda (ou A5497). “Será que os nomes têm alma? Seria a alma o significado, e o significante seria a arbitrariedade? Ou as coisas são as coisas mais todos os signos ou independente de quaisquer deles?” Que perguntas incríveis. Tem toda uma ala da filosofia que diz que não vemos a coisa, mas vemos a coisa carregada de memórias, de símbolos, de ressonâncias particulares, de reflexões pessoais, o que nos autoriza a dizer que, neste mundo vasto mundo (e se tu te chamasses Raimunda, seria uma rima ou uma solução?), ninguém nunca vê nada real e cada um tem o seu próprio mundo e o olha diferentemente das outras pessoas…. sei lá, acho isso genial. Viver em um mundo particular, com detalhes compartilhados por outras pessoas, mas nunca a integralidade da coisa em si. Acredito que o teu poema não pertence mais a ti no momento em que chega ao mundo, e tenho a sensação de que, no momento em que o lanceteio com o meu olhar e com a minha leitura, ele explode em sentidos e significados que me fazem rever a inha própria literatura. Ao te ler, eu também me sinto poeta. Abraço! 🙂

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    1. Ah que lindo! 💜 Sabe o cômico da vida, além do que redunda? Um ou dois dias depois de escrever o comentário, chamei um uber cujo motorista era Marcos Vinicius! Eu disse em voz alta: ah, é o Marcos Vinicius! Minha mãe estava ao lado e perguntou o que é que tinha ele. Eu disse que havia escrito sobre ele. Hehehe.
      Sabe do que suspeito? Somos muito mais coletivo do que subjetividade e isso é como nascer colonizado de passado e de futuro, quase coisa que não cabe no eu nem na ideia.
      A5497 adora responder que não é um robô aos sites que pedem confirmação selecionando imagens que contêm placas… hehehe Abraço!

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